"Temos de mostrar não só o que SP tem de bonito, mas o outro lado também"

Notícia publicada na edição de 20/07/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno Turismo - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Foi a guia Flavia Liz Di Paolo quem guiou a jornalista Maria Zupello e seu marido italiano. O tempo chuvoso encurtou o passeio para cerca de duas horas: começou com uma volta por alguns quarteirões na entrada da favela e terminou com pão de queijo e café numa padaria no centro do bairro. Não faltou no roteiro uma visita ao ateliê do seu Berbela e à Casa de Pedra do seu Estevão, dois artistas que contribuíram para que Paraisópolis virasse marco obrigatório para os turistas de favela.

O primeiro é, na verdade, o mecânico Antônio Eduardo da Silva, que tem mais de 2 mil esculturas de insetos e animais e várias bicicletas decoradas com dezenas de acessórios inusitados. O segundo, o jardineiro Estevão Silva da Conceição, é o famoso ‘Gaudí Brasileiro‘. Sua casa - em construção contínua há 25 anos - é formada por milhares de pedrinhas e bugigangas tão diversas quanto escovas de dente, secretárias eletrônicas e azulejos portugueses, coladas em curvas sinuosas.

Ambos estão pouco a pouco se acostumando à condição de artistas e às visitas constantes. No entanto, não conseguem sobreviver só com a contribuição deixada pelos turistas. ‘O problema é que, tirando os estrangeiros, ainda vem pouca gente. Brasileiro mesmo não costumo receber, pois a maioria tem mania de pensar que favela é só violência, que só tem coisa ruim‘, diz Estevão.

Divulgação

Para divulgar o tour, Flávia aposta na propaganda boca a boca, mas também faz parcerias com hotéis e agências turísticas no exterior.

A agência Check Point - que, além de Paraisópolis e Heliópolis, leva turistas para outras favelas e até para a cracolândia, no centro de São Paulo - adota táticas parecidas. ‘Temos de mostrar não só o que São Paulo tem de bonito, mas o outro lado também. Quando levo alguém para uma favela ou para a cracolândia, faço questão de mostrar que temos um problema, mas que estamos melhorando e logo mais não teremos aquilo. É algo que também faz parte da cidade‘, explica Luciano de Abreu, o diretor da agência.

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